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“Humanity Lobotomy”
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quer opinar? seja como alice, siga o coelho.
sentimento saturnino
"De la Musique avant toute chose !
Et pour cela préfère l'Impair
Plus vague et plus soluble dans l'air
Sans rien en lui qui pèse et qui pose."
Paul Verlaine
Et pour cela préfère l'Impair
Plus vague et plus soluble dans l'air
Sans rien en lui qui pèse et qui pose."
Paul Verlaine

a convalescença me agride. a gripe me ataca. rouquidão, sufoco. a noite mal dormida ainda revirando no estômago.
a música da tarde que se foi, uma sinfonia inacabada, algo proveniente de algum vento de allegro con motto. um verso. uma folha marcando alguma lembranca empoeirando como letras de livros na estantes da biblioteca antiga, secreta, tumular, de algum antepassado abandonado, que há anos morrera. assim caminha fúnebre os dias. o amargo é do chá já frio ou da falta de desejo pela vida?
a vida, ah. é um capricho. um desleixo da morte. um intervalo entre a não existência e o desaparecimento. quantos túmulos ainda persistem contra o tempo e ironicamente ainda se lêem as palavras "eterno", "inesquecível", "para sempre", enquanto o nome já apagado exprime a verdade irrefutável da efemeridade. nem o medo, nem a crença a deus, nem os filhos, nem a escrita nos eximirá. é o tempo lá fora passando nas entrelhinhas desse caderno sem pautas.
é o amargo do chá, já frio. a noite mal dormida revirando o dia. e esse menuetto de schubert. é esse sentimento, que nada tem a ver com alguma imensidão plantetária, é esse peso de chumbo colando ao céu da boca, ganhando espaço em alguma letra: é o repouso (onde pousam tais desconfortos d'alma).
tormentos? o coelho te leva à toca
in rainbows, o concerto
era alguma hora do fim da tarde que não acabava. não findava porque era verão no lado norte do mundo, que por ser redondo não tem lados, ou teria? tardava. e havia gentes e mais gentes e mais gentes. mas nenhuma criança. criança não. mas, no entanto havia música. isso havia. e havia um palco. com tanta luz. uma chuva de telas riscadas atravessando, como espelhos começados, que irradiavam luzes de mil cores. e longe, quase perto, mas intocável, estavam eles: RADIOHEAD.

e súbito chuva. que esfriava os corpos turbulentos. e que refrescava e lavava o ritmo, dando a ele um calor inédito. um calor novíssimo. era dia de alguma coisa. e o dia dessa coisa (que não há palavras a explicá-la) tinha cheiro, cor de luz. e estávamos lá, eu, ele e meu irmão. meu irmão! como num sonho. um doce sonho abstrato e cheio de cor. e alguém cantava: "Strobe lights and blown speakers/ Fireworks and hurricanes"

e alguém trazia qualquer ruído estelar, sintetizado, numa lentidão veloz. meus olhos super estroboscópios observando enquanto ao meu lado ele congelava as imagens num aparelho e meu irmão? sorria. no palco alguém esverdeado dissipava-se em cordas de guitarra e qualquer radiação electromagnética visível, quase sem rosto:

e num outro instante esse alguém era junto a outrem somente qualquer esboço de alguns quantums simples, um photós.

e foi uma explosão. cores, sentidos, canções. e só agora, três dias depois consigo esboçar essa coisa que conta desse dia. só agora consigo dividir essas imagens.

elas que parecem rabiscos de qualquer traço fibrilante, de qualquer tela irreal, desenho de gente que dança ou voa. só.
....
todas as fotos foram feitas por B. Wagenseil
...
quer falar? siga o coelho

e súbito chuva. que esfriava os corpos turbulentos. e que refrescava e lavava o ritmo, dando a ele um calor inédito. um calor novíssimo. era dia de alguma coisa. e o dia dessa coisa (que não há palavras a explicá-la) tinha cheiro, cor de luz. e estávamos lá, eu, ele e meu irmão. meu irmão! como num sonho. um doce sonho abstrato e cheio de cor. e alguém cantava: "Strobe lights and blown speakers/ Fireworks and hurricanes"

e alguém trazia qualquer ruído estelar, sintetizado, numa lentidão veloz. meus olhos super estroboscópios observando enquanto ao meu lado ele congelava as imagens num aparelho e meu irmão? sorria. no palco alguém esverdeado dissipava-se em cordas de guitarra e qualquer radiação electromagnética visível, quase sem rosto:

e num outro instante esse alguém era junto a outrem somente qualquer esboço de alguns quantums simples, um photós.

e foi uma explosão. cores, sentidos, canções. e só agora, três dias depois consigo esboçar essa coisa que conta desse dia. só agora consigo dividir essas imagens.

elas que parecem rabiscos de qualquer traço fibrilante, de qualquer tela irreal, desenho de gente que dança ou voa. só.
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todas as fotos foram feitas por B. Wagenseil
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uma poesia para calar as horas

"Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta tempora assedia;
Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia a sobra franca
E em feixe atado agora o vejo trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;
Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono
Morrem ao ver nascer a graça nova.
Contra a foice do tempo é vão combate
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate."
William Shakespeare
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josé=johannes

ontem encontrei josé-johannes no weinsalon. eu que já o vira outras vezes, em outras ocasioes. ele: o duplo. mais jovem. o mesmo olhar. que me olhava como que me seguindo. o mesmo inclinar com a cabeça daquele josé carlos que conheci num remoto bar brasil. esse foi no salão do vinho.

enquanto na outra sala eu derramava um punhado de vinho ao solo e entoava "evoé", ele provavelmente jogava sinuca e silenciava palavras desnecessárias. eu rodeada de gentes, na mesa, na poltrona-trono derramando o vinho como quem entorna a si própria: num deleite.
ele o duplo caminhando por espaços próximos como um fantasma. o duplo de josé: johannes.o nome do outro parcialmente dentro do seu. e ele nem sabe. mal eu o sei. no bater das badaladas, nas tantas da noite, ele derramou seu olhar mais uma vez em mim-solo. (irrefutável atração!) e eu entoei: prost! ele aturdido buscou o copo e nada encontrou, ofereci o meu. rimos. ele tomou, dividimos, bebemos. e ele perguntou meu nome, a seguir de minha resposta revelou-me: "īgnis em latim significa fogo". estremeci.
o melhor seria nem olhar o duplo, nem dar asas a saudade, nem colocar fogo na maria-fumaça das lembranças, nem aquecer velhas nostalgias. eu ri. bebemos. e nos despedimos. dois próximos estranhos, "nos vemos por aqui". ele o duplo desconhecido. ele o duplo johannes, de algum josé, de algum passado.
....
se é que ainda um senhor josé carlos de araujo jr. ainda apareça por aqui: gratulações por teus anos, tua pessoa. e alerte-se seu duplo caminha entre ruas berlinenses na fuligem de vinho.
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a dança berlínica (da série cidaDELAs)
Berlim é dessas cidades assim: chega aproximando-se curvilínea, faz uma parábola amorosa no seu peito, abre um ângula e te toma de jeito. súbito já não há caminhos de saída, há linhas de u-bahns e s-bahns rumo lagos, há mini-jardins encantados (e passarinhos, mil passarinhos).

há um homem que me ama, há uns poucos novos-conhecidos que me fazem rir. há boêmia na segunda-feira. há shows de radiohead, nick cave. há bibliotecas cheias de filmes, livros e música. a ópera dança, o unter den linden sorri sua boca de museus, de festivais, de cultura. na reviravolta do arco debaixo do Brandenburger Tor quando menos se espera Berlim já te enlaçou como fita invisível, cordão umbilical pululante que não sufoca, que te enche d o líquido da vida e aí já é primavera.

a cidade acorda cedo, se veste de passarinhos, canta um onírico zunido, acode trems e metrôs, solta uns loucos e loucas pelas ruas (que descalços sem ser hippies vagam felizes com o calor do dia ou se colocam em biquinis nos jardins dos prédios como se a cidade toda fosse uma única praia). tudo é mais nítido pela manhã: gentes, risos, árvores.

aí lá pelo meio dia já cansada de tanta compania ela se afasta de ti e só deixa um banho de sol, amarelo, risonho, nunca exagerado. e no começo da tarde já refrescada de brisa, ela te chama para o bailado, joga cadeiras pelas calçadas, anima bares e cafés, enche de gente faladeira as esquinas, de conversas altas os botequins. ela te oferece o por do sol:


pendura brinquinhos-estrelas em sua orelha. lá pelas tantas onze da noite ela melancólica entoa de sua janela o nachtigall e como se espantada consigo mesmo diz atônita: „Nachtigall, ick hör' dir trapsen“. a noite rodopia, as luzes eletrizantes como um enxame dançam.

e nessa leve sinfonia, nesse ballet citadino, germina qual ramo novíssimo o novo dia, bem cedinho, bem de manhãzinha. no raiar do dia tudo fica em evidência. os anjos-estátuas voam nos nossos sonhos pueris de primavera.

eu observo tudo. uma passante que aqui ficou. porque é primavera.
e é logo depois, no mais tardar no verão, que berlim já me emaranhou, me enredou como a própria epiderme - sem que eu mesma percebesse.
comentários? siga o coelho


De sua gente, de seu fado, irreal. O castelo de São Jorge e o dragão estampado na lua, qual lençol pendurada no varal da noite. O vinho verde, o vinho tinto, a sede. O queijo lisboense. Lisboa. De mim de Boris, de roseirais.


Lisboa que veste suas estátuas com chápeus de pássaros.Lisboa de suas ladeiras, de sua Alfama que cheira a vilarejo. Ah, Lisboa de meus beijos. Ah, Lisboa. Que no nome já é doce, adorável, é boa.
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começo aqui uma campanha: SOLIDARIEDADE TIBET. coloque o banner no seu blog, imprima e cole no seu carro. não para ser "cult" ou fazer a linha "zen tibetan moderninho". mas para tentar algo. talvez nem funcione, talvez não seja nada. mas talvez seja um começo. um passo. uma formiguinha levando a folha um tanto mais no longo caminho. esqueça por um minuto a discussão sobre direita e esquerda com o sr briguet, ou as polêmicas divertidas do blog do vaca, larga um pouco da literatura ygoriana ou dos delírios verborrágicos de certas ísis... manifeste em um minuto solidariedade com o Tibet.
por exemplo, boicote a futura olimpíadas desde já.

insista na sua cidade para fazer matérias sobre o conflito, certamente há tibetanos no Brasil também. crie pautas, comente nos bares, clique nas páginas das ongs, leia sobre o conflito. não deixe esse problema do tibet ser mais uma notinha despercebida, como foi o conflito em kosovo.

(morreram 80 pessoas em protestos no tibet, entre montanhas, entre tanques chineses.)
para comentários, opiniões, etceteras: siga o coelho

imagino que quando eu nasci eu devo ter olhado nos olhos da minha mãe e visto somente um vulto, nebuloso, de luz e sombra. uma figura desfocada, como numa imagem de sonho no cinema, uma pintura abstrata. imagino que sem saber eu soube que era minha mãe. e eu soube que para sempre ela estaria como uma barriga, pele, carne, líquidos uterinos, a me acolher. ela era a barriga, ela era o alimento e a voz que eu ouvia e devia imaginar que ela era uma voz minha no silêncio de minha existência pré-natal. eu crescia nela e ela era quem me formava, ela era o universo inteiro, que sem que eu soubesse me abraçava, acolhia e ninava. depois quando ainda menina, junto a meu pai, era ela minha referência primeira. educou-me, instruíu-me e até podou-me quando acreditou ser necessário. e quantas vezes me rebelei, me exaltei, bati o pé. e as outras tantas achei odiá-la (como se o pudera um dia...).
mas nunca quis ter outra mãe. lembro até uma vez, quando adolescente, que uma garota (que eu cria ser minha melhor amiga e o acreditei por muito tempo - até que com o tempo nos distanciamos) disse que minha mãe havia sido chata e a tratado mal e que eu devia me desculpar com ela. lembro de meu choque, de meu susto e de minha sensação de que algo estava errado. minha mãe nunca maltrataria ninguém. ela sempre foi sincera. mas sempre delicada. por mais que não gostasse dessa minha amiga, nunca a destrataria. foi o primeiro momento que vi, que eu não poderia aceitar uma injustiça em relação à minha mãe. não por ser minha mãe. mas por ser uma mulher maravilhosa, de delicadeza desmedida. percebi que minha mãe era uma mulher. uma mulher completa, intensa e vivaz. uma mulher delicada, de mãos e pés pequenos. corajosa, honesta, amorosa. a mãe da maíra, da ísis e do hermano.
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ando meio no escuro. numa dança com o incerto. em minhas elucubrações sobre o futuro percebo que mesmo tecendo o agora o amanhã se enevoa. a vida é urgente e preciso de passos seguros. contudo mesmo o chão é ar, é vento, é nuvem. adiante é tão distante.
nos entremeios há pequenos esboços de um futuro provavelmente certo, a chegada do irmão, meu segundo show do radiohead, o filme da berlinale, uma possível viagem para rever uma boa amiga, talvez ir à opera, assistir os dois dvds do radiohead que meu bem me presenteou, replantar as plantas do apartamento, esperar a resposta de mini-job da biblioteca, a inscrição para o curso de cinema, a viagem para lisboa ou turquia, pensar se quero ou nao o doutorado que me foi proposto, pensar em possibilidades.
mas o mundo do futuro se reescreve constantemente, como numa progressão geométrica, como o caos, como o universo em constante expansão. o futuro é a criança que cresce e o rosto que muda e o sorriso que fica mais amarelo com o ganhar de anos. ao meu lado a carta escrita para minha sobrinha - é um futuro pra ela meu presente.
mas teço o agora.
como uma tecelã inca em sua cadeira de tear. tecendo estou deslustrando o que virá, se será uma hispânica conquista sanguinária, se será uma globalização de mim.
espantanda com o roubo do pé de pimenta. pensando na carteira de identidade. lembrando dos meus gatos spleen e dejà-vu. de minha gata margareth, do meu gato gato. onde estarão?

eu teço o momento, como a velha senhora, os olhos em qualquer outro lugar e as mãos em movimento. quero me embrenhar no mundo. quero me engajar com a vida, quero filmar as horas, fotografar sombras e luzes. olhos-diafragmas abertos pra névoa do amanhã. desvendando vultos, que depois serão surprendentemente diferentes coisas.
ando no meio do escuro e não estendo a mão. sim, quero trombar, quero esbarrar nas coisas, quero aprender a ver com a pupila menos dilatada. com íris de gato, brilhando acesa, lâmpada arguta de mirar.
...
comentários? devaneios? siga o coelho

há um homem que me ama, há uns poucos novos-conhecidos que me fazem rir. há boêmia na segunda-feira. há shows de radiohead, nick cave. há bibliotecas cheias de filmes, livros e música. a ópera dança, o unter den linden sorri sua boca de museus, de festivais, de cultura. na reviravolta do arco debaixo do Brandenburger Tor quando menos se espera Berlim já te enlaçou como fita invisível, cordão umbilical pululante que não sufoca, que te enche d o líquido da vida e aí já é primavera.

a cidade acorda cedo, se veste de passarinhos, canta um onírico zunido, acode trems e metrôs, solta uns loucos e loucas pelas ruas (que descalços sem ser hippies vagam felizes com o calor do dia ou se colocam em biquinis nos jardins dos prédios como se a cidade toda fosse uma única praia). tudo é mais nítido pela manhã: gentes, risos, árvores.

aí lá pelo meio dia já cansada de tanta compania ela se afasta de ti e só deixa um banho de sol, amarelo, risonho, nunca exagerado. e no começo da tarde já refrescada de brisa, ela te chama para o bailado, joga cadeiras pelas calçadas, anima bares e cafés, enche de gente faladeira as esquinas, de conversas altas os botequins. ela te oferece o por do sol:

porque é primavera.
e à noitinha ela pinta o céu com a lua cheia.

pendura brinquinhos-estrelas em sua orelha. lá pelas tantas onze da noite ela melancólica entoa de sua janela o nachtigall e como se espantada consigo mesmo diz atônita: „Nachtigall, ick hör' dir trapsen“. a noite rodopia, as luzes eletrizantes como um enxame dançam.

e nessa leve sinfonia, nesse ballet citadino, germina qual ramo novíssimo o novo dia, bem cedinho, bem de manhãzinha. no raiar do dia tudo fica em evidência. os anjos-estátuas voam nos nossos sonhos pueris de primavera.

eu observo tudo. uma passante que aqui ficou. porque é primavera.
e é logo depois, no mais tardar no verão, que berlim já me emaranhou, me enredou como a própria epiderme - sem que eu mesma percebesse.
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Eita Lisboa - Lisboeita (da série: cidadELAs)
“Desejo,
voltar,
voltar a ti,
desejo te encontrar“
(Madredeus –
Pedro Ayres Magalhães
e Rodrigo Leão)
voltar,
voltar a ti,
desejo te encontrar“
(Madredeus –
Pedro Ayres Magalhães
e Rodrigo Leão)

Ai saudade de Lisboa. Suas ruas, sua lua, seus varais.

Ai saudade de Lisboa.
De sua gente, de seu fado, irreal. O castelo de São Jorge e o dragão estampado na lua, qual lençol pendurada no varal da noite. O vinho verde, o vinho tinto, a sede. O queijo lisboense. Lisboa. De mim de Boris, de roseirais.
Aquele cantor de fado, que amei
Aquele mar de gaivotas, que amei.
Aquele mar de gaivotas, que amei.

Aquele poeta de mil nomes, que saudei.
Ou o autor de tantos absurdos, que degustei.
Ou o autor de tantos absurdos, que degustei.

Lisboa que veste suas estátuas com chápeus de pássaros.Lisboa de suas ladeiras, de sua Alfama que cheira a vilarejo. Ah, Lisboa de meus beijos. Ah, Lisboa. Que no nome já é doce, adorável, é boa.
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por um pouco de SOLIDARIEDADE: FREE TIBET

começo aqui uma campanha: SOLIDARIEDADE TIBET. coloque o banner no seu blog, imprima e cole no seu carro. não para ser "cult" ou fazer a linha "zen tibetan moderninho". mas para tentar algo. talvez nem funcione, talvez não seja nada. mas talvez seja um começo. um passo. uma formiguinha levando a folha um tanto mais no longo caminho. esqueça por um minuto a discussão sobre direita e esquerda com o sr briguet, ou as polêmicas divertidas do blog do vaca, larga um pouco da literatura ygoriana ou dos delírios verborrágicos de certas ísis... manifeste em um minuto solidariedade com o Tibet.
por exemplo, boicote a futura olimpíadas desde já.

insista na sua cidade para fazer matérias sobre o conflito, certamente há tibetanos no Brasil também. crie pautas, comente nos bares, clique nas páginas das ongs, leia sobre o conflito. não deixe esse problema do tibet ser mais uma notinha despercebida, como foi o conflito em kosovo.

(morreram 80 pessoas em protestos no tibet, entre montanhas, entre tanques chineses.)
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minha primeira casa (ou o ventre de mareu)

imagino que quando eu nasci eu devo ter olhado nos olhos da minha mãe e visto somente um vulto, nebuloso, de luz e sombra. uma figura desfocada, como numa imagem de sonho no cinema, uma pintura abstrata. imagino que sem saber eu soube que era minha mãe. e eu soube que para sempre ela estaria como uma barriga, pele, carne, líquidos uterinos, a me acolher. ela era a barriga, ela era o alimento e a voz que eu ouvia e devia imaginar que ela era uma voz minha no silêncio de minha existência pré-natal. eu crescia nela e ela era quem me formava, ela era o universo inteiro, que sem que eu soubesse me abraçava, acolhia e ninava. depois quando ainda menina, junto a meu pai, era ela minha referência primeira. educou-me, instruíu-me e até podou-me quando acreditou ser necessário. e quantas vezes me rebelei, me exaltei, bati o pé. e as outras tantas achei odiá-la (como se o pudera um dia...).
mas nunca quis ter outra mãe. lembro até uma vez, quando adolescente, que uma garota (que eu cria ser minha melhor amiga e o acreditei por muito tempo - até que com o tempo nos distanciamos) disse que minha mãe havia sido chata e a tratado mal e que eu devia me desculpar com ela. lembro de meu choque, de meu susto e de minha sensação de que algo estava errado. minha mãe nunca maltrataria ninguém. ela sempre foi sincera. mas sempre delicada. por mais que não gostasse dessa minha amiga, nunca a destrataria. foi o primeiro momento que vi, que eu não poderia aceitar uma injustiça em relação à minha mãe. não por ser minha mãe. mas por ser uma mulher maravilhosa, de delicadeza desmedida. percebi que minha mãe era uma mulher. uma mulher completa, intensa e vivaz. uma mulher delicada, de mãos e pés pequenos. corajosa, honesta, amorosa. a mãe da maíra, da ísis e do hermano.
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de mim na escuridão

ando meio no escuro. numa dança com o incerto. em minhas elucubrações sobre o futuro percebo que mesmo tecendo o agora o amanhã se enevoa. a vida é urgente e preciso de passos seguros. contudo mesmo o chão é ar, é vento, é nuvem. adiante é tão distante.
nos entremeios há pequenos esboços de um futuro provavelmente certo, a chegada do irmão, meu segundo show do radiohead, o filme da berlinale, uma possível viagem para rever uma boa amiga, talvez ir à opera, assistir os dois dvds do radiohead que meu bem me presenteou, replantar as plantas do apartamento, esperar a resposta de mini-job da biblioteca, a inscrição para o curso de cinema, a viagem para lisboa ou turquia, pensar se quero ou nao o doutorado que me foi proposto, pensar em possibilidades.
mas o mundo do futuro se reescreve constantemente, como numa progressão geométrica, como o caos, como o universo em constante expansão. o futuro é a criança que cresce e o rosto que muda e o sorriso que fica mais amarelo com o ganhar de anos. ao meu lado a carta escrita para minha sobrinha - é um futuro pra ela meu presente.
mas teço o agora.
como uma tecelã inca em sua cadeira de tear. tecendo estou deslustrando o que virá, se será uma hispânica conquista sanguinária, se será uma globalização de mim.
estou já.
espantanda com o roubo do pé de pimenta. pensando na carteira de identidade. lembrando dos meus gatos spleen e dejà-vu. de minha gata margareth, do meu gato gato. onde estarão?

eu teço o momento, como a velha senhora, os olhos em qualquer outro lugar e as mãos em movimento. quero me embrenhar no mundo. quero me engajar com a vida, quero filmar as horas, fotografar sombras e luzes. olhos-diafragmas abertos pra névoa do amanhã. desvendando vultos, que depois serão surprendentemente diferentes coisas.
ando no meio do escuro e não estendo a mão. sim, quero trombar, quero esbarrar nas coisas, quero aprender a ver com a pupila menos dilatada. com íris de gato, brilhando acesa, lâmpada arguta de mirar.
...
comentários? devaneios? siga o coelho

